Fontes secas, memórias vazias: fontes de água que abasteciam Salvador estão entregues ao descaso
📍 Salvador
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Antes mesmo da capital baiana possuir um sistema de canalização, Salvador contava com diversas fontes públicas que serviam como principal recurso de abastecimento e acesso à água nos bairros. Com o crescimento da população, fez-se necessário a construção de um novo sistema de água, implantado em 1910. No entanto, com o passar dos anos, as fontes entraram no esquecimento, sendo abandonadas e colocadas em segundo plano.
Apresentando diversos problemas, como a falta de manutenção, necessidade de reformas em suas instalações, essas fontes, com raras exceções, encontram- -se degradadas e relacionadas à sujeira, pobreza e exclusão social. Resultando na desvalorização do seu significado social e ambiental por parte dos moradores da Cidade e da ausência de políticas públicas voltadas para a sua conservação.
As intervenções dos Órgãos responsáveis ocorrem de forma paliativa. Segundo moradores, limpezas são realizadas apenas superficialmente, geralmente em datas comemorativas, “maquiando” a real situação, não se configurando como uma intervenção eficaz.
Segundo a Fundação Gregório de Matos, apenas 6 de 19 fontes listadas no site da prefeitura de Salvador estão em processo de revitalizaçāo, sem data prevista para a conclusão das obras. Ainda segundo a FGM, a responsabilidade da manutençāo e limpeza das fontes é um trabalho multidisciplinar, no qual a Diretoria de Patrimônio e Humanidades tenta contribuir. Contudo, a responsabilidade se divide entre alguns orgāos, como a EMBASA, VISAMB, SECIS, SEMAN, LIMPURB, SEMOP e SEMPRE.
A falta de um profissional que forneça informações sobre a procedência e a situação atual dos patrimônios, faz com que a procura pelo paradeiro da nossa própria história seja omitida. Assim como medidas de revitalização dos centros históricos, em geral igrejas e museus, a valorização de fontes também é de extrema importância histórica.
Escondidas, sujas e entregues à marginalização sendo utilizadas como depósito de lixo, lava-jato e até mesmo ponto de encontro para usuários de drogas, é desta forma que se encontra a história de Salvador.