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Aparato Cultural
Culinária

Por Aparato Cultural

Feira de São Joaquim: a história de um dos lugares mais populares de Salvador

Salvador

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Entre alimentos, ervas, objetos religiosos e produtos vindos de diferentes regiões, a feira se tornou parte da memória e da identidade cultural de Salvador

Quem percorre os corredores da Feira de São Joaquim encontra muito mais do que produtos à venda. Frutas, verduras, carnes, peixes, temperos, bebidas, ervas, objetos religiosos, artesanato e utensílios domésticos dividem espaço em um dos mercados populares mais conhecidos de Salvador.

Localizada na região da Cidade Baixa, a feira faz parte da vida cotidiana da capital baiana há décadas. Sua história, porém, começou em outro lugar.

Uma feira que mudou de endereço

A origem da Feira de São Joaquim está relacionada à antiga Feira do Sete, que funcionava na região da Água de Meninos.

O espaço ganhou importância como ponto de comércio de produtos que chegavam a Salvador por via marítima e terrestre. Com o passar dos anos, a área passou a concentrar comerciantes de diferentes produtos, tornando-se uma referência para moradores da cidade.

Um incêndio ocorrido em 1964 destruiu parte da antiga feira. Depois do episódio, os comerciantes foram transferidos para uma nova área, onde a feira passou a se estabelecer. Foi nesse processo que surgiu a Feira de São Joaquim como ela é conhecida atualmente.

Um mercado dentro da cidade

A feira se tornou um espaço de circulação de mercadorias e pessoas. Ali podem ser encontrados produtos vindos de diferentes regiões da Bahia e de outros estados. A variedade também revela a diversidade da própria alimentação baiana.

Temperos, farinhas, frutas, raízes, carnes, pescados e outros ingredientes chegam às bancas e depois seguem para cozinhas espalhadas por Salvador.

A feira funciona como uma espécie de retrato da alimentação cotidiana da cidade.

Mais do que comida

Embora a culinária seja uma das principais características da Feira de São Joaquim, o espaço também possui forte relação com as religiões de matriz africana.

Ervas, folhas, imagens, objetos ritualísticos e outros produtos utilizados em práticas religiosas podem ser encontrados entre as mercadorias comercializadas.

Essa característica aproxima a feira de uma dimensão importante da cultura baiana: a relação entre alimentação, natureza, religiosidade e conhecimento tradicional.

Caminhar pela feira também é encontrar elementos que fazem parte de diferentes tradições culturais presentes na Bahia.

O conhecimento que passa de uma geração para outra

Uma feira popular não é formada apenas pelas mercadorias que estão nas bancas. Existe também um conhecimento sobre os produtos.

Quem trabalha ali precisa saber reconhecer diferentes tipos de alimentos, ervas, temperos e outros produtos, além de conhecer suas formas de utilização. Esse conhecimento é transmitido pela prática e pela convivência.

Uma pessoa aprende com os pais, os avós, os antigos comerciantes ou com os próprios colegas de trabalho. É uma forma de conhecimento que dificilmente aparece em livros, mas que continua circulando diariamente.

A memória de Salvador

Ao longo das décadas, Salvador mudou. Novos bairros cresceram, antigos estabelecimentos desapareceram e os hábitos de consumo se transformaram. A Feira de São Joaquim, entretanto, continuou ocupando um lugar importante na paisagem da Cidade Baixa.

Sua permanência ajuda a preservar uma determinada maneira de comprar, vender, conversar e circular pela cidade.

As bancas, os corredores e os produtos formam uma paisagem que também é memória. É possível encontrar ali objetos que lembram outras épocas, ingredientes que continuam presentes na cozinha baiana e práticas comerciais que sobreviveram à modernização da cidade.


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