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Aparato Cultural
História/Turismo

Por Aparato Cultural

As antigas salas de cinema de Salvador que desapareceram

Salvador

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Houve um tempo em que ir ao cinema era também uma experiência urbana. As grandes salas de Salvador estavam espalhadas pelo Centro, principalmente pela região da Baixa dos Sapateiros, Rua Chile, Praça da Sé e arredores. O cinema fazia parte da paisagem e da vida cultural da cidade.

Na primeira metade do século XX, o Centro Antigo chegou a concentrar diversos cinemas de rua. Alguns desapareceram completamente; outros tiveram seus edifícios transformados ou permaneceram fechados durante décadas.

Cine Jandaia

Na Baixa dos Sapateiros, o Cine-Teatro Jandaia foi inaugurado no início dos anos 1930 e se tornou uma importante casa de espetáculos de Salvador. Com arquitetura marcada pelo Art Déco e influências do Art Nouveau, recebeu grandes nomes da música e das artes, entre eles Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e Bidu Sayão.

Com as transformações do centro da cidade e o crescimento dos cinemas em outras regiões, o espaço entrou em decadência. O prédio acabou fechado e passou por anos de abandono. Em 2015, recebeu tombamento definitivo pelo patrimônio estadual, reconhecendo sua importância histórica e arquitetônica.

Cine Excelsior

Na Praça da Sé, o Cine Excelsior foi inaugurado em 1935. A sala pertencia à Congregação Mariana de São Luiz e ficou conhecida como o primeiro cinema católico da Bahia. Além da exibição de filmes, sua existência estava ligada às atividades da instituição religiosa.

O Excelsior fazia parte de um circuito que transformava o Centro em um dos principais polos cinematográficos da cidade. Hoje, a sala já não exerce sua antiga função.

Cine Aliança

Na Baixa dos Sapateiros, o Cine Aliança foi outra grande sala que marcou a época de ouro dos cinemas de rua. Registros históricos apontam que o cinema tinha mais de mil lugares e recebia centenas de milhares de espectadores por ano durante seu período de funcionamento.

O fechamento do Aliança faz parte de um processo maior: a perda de espaço dos cinemas tradicionais diante das mudanças econômicas e urbanas de Salvador.

Cine Glória

Outro endereço que desapareceu do circuito cinematográfico foi o Cine Glória, localizado na Rua Rui Barbosa. Inaugurado em 1946, tinha capacidade para cerca de 540 espectadores e posteriormente passou a se chamar Cine Tamoio.

Assim como tantas outras salas antigas, acabou fechando à medida que o modelo dos grandes cinemas de rua perdeu espaço na cidade.

Cine Guarany: uma história que continuou

Na Praça Castro Alves, o antigo Cine Guarany teve uma trajetória diferente. Inaugurado originalmente em 1919, o espaço se tornou uma das salas mais importantes da história cinematográfica de Salvador. Foi ali que aconteceu a estreia de Redenção, de Roberto Pires, em 1959, considerado o primeiro longa-metragem do cinema baiano. O local também foi importante para debates e atividades ligadas ao movimento cinematográfico da Bahia.

Depois de reformas e mudanças de nome, o espaço passou a homenagear o cineasta baiano Glauber Rocha. Fechado em 1998, voltou a funcionar após uma grande reforma, mantendo até hoje sua vocação cinematográfica.

O que aconteceu com os cinemas de rua?

O desaparecimento dessas salas não aconteceu por uma única razão.

A partir da segunda metade do século XX, Salvador passou por profundas transformações urbanas. O eixo econômico da cidade começou a se deslocar para outras regiões, enquanto o Centro Antigo enfrentava um processo de esvaziamento. Paralelamente, os shopping centers passaram a concentrar novas salas de cinema, oferecendo um modelo diferente de consumo cultural.

Com isso, muitos cinemas fecharam. Alguns prédios foram demolidos; outros ganharam novas funções, enquanto alguns permaneceram abandonados.

O desaparecimento dessas salas, porém, não significa que elas tenham deixado de fazer parte da história da cidade.

Durante décadas, esses lugares foram pontos de encontro, espaços de lazer e também ambientes de circulação cultural e intelectual. Nos anos 1950 e 1960, por exemplo, os cinemas de rua participaram da formação de uma geração ligada ao cinema baiano e ao Cinema Novo.

Hoje, quando uma antiga fachada passa despercebida entre lojas, placas e o movimento cotidiano do Centro, pode ser difícil imaginar que naquele mesmo lugar milhares de pessoas já esperaram pelo início de uma sessão.


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